Deparo-me com a tristeza sempre quando busco uma morfina de felicidade. Ela, em casos, é quem mais me impede e em outros é quem mais me motiva para querer seguir. Deparo-me com a tristeza e é sempre a mesma cena, do mesmo filme velho em cartaz, no velho cinema, da velha cidade. Às vezes demoro quinhentos dias para esquecê-la, mas são necessários apenas três dias para voltar-me a lembrá-la. Digo a tristeza. Fico tão pouco alegre, com empurrões de felicidade, vem a minha querida e íntima amiga para me derrubar do alto da montanha – as lágrimas, a solidão, a tristeza. Deparo-me com a tristeza sempre na mesma rua, perto da cafeteria e insisto em passar de cabeça baixa para impedi-la de me ver. Missão impossível. Não deparar-me com algo triste.
Lucas Guerrero, Deparo-me.  (via desanimador)

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